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ISSN: 1983-6007 N° da Revista:22 Janeiro a Abril de 2014
 
   
 
 

Editorial CliniCAPS – Impasses da Clínica. N.22

              No 22º número da revista CliniCAPS encontraremos uma instigante diversificação de temas. Encontraremos a psicanálise em sua relação com a literatura e a loucura; com a filosofia; com o contexto psicossocial (experiência institucional); psicanálise com crianças; desde sempre, calcados nos impasses da clínica psicanalítica. Podemos dizer que o denominador comum deste número é a própria psicanálise como um instrumento de leitura e as inúmeras incursões que ela suscita.

Pois bem, abrimos este número com um texto de Enrique Acuña intitulado “Un inconsciente entre leyes y clases”. Neste artigo, o psicanalista argentino expõe as consequências da nova metáfora jurídica – representada pela máxima direitos humanos para todos – para a psicanálise. Para o autor, deve-se considerar o que se excede do sujeito do inconsciente (que se apresenta por meio do sintoma), antes de se aplicar as leis e fazer uso de classes. É essa tensão que Acuña propõe pensar, localizando a interface entre a saúde mental e a psicanálise.

Em seguida, temos o texto de Vinícius Carossi “Três versões do corpo freudiano: um traço da biologia freudiana”, no qual o autor pensa o corpo na obra de Freud em contraste com a concepção do corpo na biologia clássica. A partir de três versões do corpo (dinâmico, libidinal e erógeno), Carossi sustenta que a inserção da linguagem desnaturaliza o corpo, de forma que a concepção freudiana do corpo nega dialeticamente a visão de corpo tal como a encontramos na biologia.
No artigo “A criança como dejeto: uma posição entre a perversão e o desejo.”, Pâmella Fernandes Freitas e Mônica Campos Silva abordam um tema importante da psicanálise com crianças. Tendo em vista as características atuais das relações amorosas, isto é, a prevalência do gozo em detrimento de sua renúncia necessária para o laço social, as autoras tratam das consequências de se colocar os filhos (da criança, em geral) como um possibilitador da relação. Porém, quando a criança entra neste lugar, resta-lhe somente o lugar de dejeto da relação.      
  
Motivadas pela obra de Machado de Assis, mais precisamente pela loucura da personagem Simão Bacamarte presente em “O Alienista”, as autoras do artigo “Nau de Itaguaí: loucura e ciência” Rafaela Brandão Alves e Leilyane Araújo Masson discutem as consequências diretas para o sujeito quando este se depara com o poder normatizador dos diagnósticos. Neste sentido, as autoras fazem dialogar a psicanálise, a literatura, a ciência e o célebre par (destacado por Foucault) poder e saber.

O artigo “Impasses e potencialidades no processo de reabilitação psicossocial: um relato sobre o programa PAI-PJ” de Vanessa Ferraz parte da experiência de trabalho da autora no PAI-PJ para pensar a reabilitação psicossocial de pacientes portadores de sofrimento psíquico, delimitando impasses e potencialidades do processo tendo como norte o referencial teórico da psicanálise e as diretrizes que orientam a experiência de estágio no PAI-PJ.

Para concluir, temos uma importante interseção entre psicanálise e a escrita chinesa trabalhada por Cleyton Andrade no artigo “A antifilosofia do pensamento chinês em Lacan”. Neste artigo, busca-se precisar a posição e importância do pensamento chinês na obra de Lacan. Segundo o autor, é como uma antifilosofia que vemos Lacan se interessar pela escrita chinesa. Em última instância, o autor toca numa questão vital para a psicanálise, a saber, o que fazer com sua transmissão? Como pensar a transmissão da psicanálise, junto à sua escrita, na eminência da aporia do matema? Para Andrade a saída possível é a escrita poética chinesa.

Certamente, a diversidade de temas associada à consistência teórica e prática instigarão e cativarão os leitores a se debruçarem ainda mais no campo fértil da psicanálise.
Agradecemos a todos pela participação.
Boa leitura!

 

Gustavo Rodrigues Borges de Araújo Guti
Parecerista, Organizador e Membro da Comissão Executiva
CliniCAPS – Impasses da Clínica

 
 
Revista N° 22
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